Estoy a Bilbao! Lamentablemente no sé como decirlo en Euskera... (se calhar nem em Espanhol...)
Estou no Hostal Gurea, em plano Casco Viejo, que é o centro histórico cá do sítio. Ruelas estreitas mas não tão velhas quanto isso... Li que a cidade foi assolada por umas cheias muito grandes seguidas de um incêncio devastador. De modo que a construção aqui tem uma traça muito recente. Ainda não vi praticamente nada da cidade porque cheguei e enfiei-me no quarto. É quase noite, os supermercados já fecharam (quero comprar fruta), estou cansada e tenho de poupar o meu tendão de Aquiles para os próximos dias (ainda está com a lesão de Amesterdão).
Bem, o meu quarto é humilde mas limpinho. Tem Wifi, o que me mantém acompanhada via Messenger, casa de banho privativa e televisão para fazer barulho e para poder ver hoje a final da Taça UEFA. (Neste momento estou a ver os próximos anúncios da Corporación Desmoestetica que vão passar em Portugal, aqueles de mulheres magras a querer emagrecer e mulheres sem pêlos a fazer depilação definitiva e que falam Português com a língua sempre a bater nos incisivos...) Outra coisa que ele tem são umas paredes muuuito fininhas que me permitem ouvir os barulhos todos na pensão inteira e na rua lá em baixo. Espero que não haja casais animadinhos aqui...
Bem, mas vamos ao relato da viagem... Eu sabia que ia voar num avião pequenino. Até sabia que se chamava Beechcraft qualquer coisa... Mas não sabia a ironia que estava inerente ao meu pensamento "4A! Fixe, vou à janela!" quando olhei para o cartão de embarque. É que o avião só tinha lugares à janela. Porque o avião só tinha uma fila de lugares de cada lado. Hélices, percebes? HÉLICES!! Era tão pequenino que o cockpit era aberto para o resto da cabine, que nem sequer levava hospedeira, só os dois pilotos, que os bancos nem reclinavam... A barulheira lá dentro era tal que nem se ouvia os anúncios gravados em 3 línguas pela hospedeira ausente. (Já se sabe que os pilotos nunca se fazem entender com aquela fala enrolada de tão bêbados de concentração na sua tarefa...) O melhor de tudo era o nome ridiculamente minúsculo: Esquilo. Não lhe podia assentar melhor. Ao menos tinha jornais. Trouxe, como sempre, o Público e o Finantial Times, que me entreteram a viagem toda, bem como a paisagem retalhada e pitalgada que desfilava lá em baixo até... até as nuvens a terem coberto, sinal de que estávamos a chegar ao Pais Basco.
Foi então que começou o tormento. Começámos a descer, a descer... e foi o terror. Geralmente, uma das minhas partes favoritas dos vôos é quando estamos a atravessar as nuvens, apesar da turbulência. Acho bonito! Mas se a turbulência se tolera num Boeing, num esquilo voador de lata parece o fim do mundo em cuecas. Bem, era para todos os lados, eram umas descidas súbitas daquelas que o rabo se descola do banco, coisa digna de montanha russa rasca e mal montada. Eu só via as hélices pela janela, pareciam atrapalhadas. Tive tanto medo, tando medo!! Dei por mim com as mãos em prece, mas tão apertadas que me doiam os dedos! Não via a hora daquilo acabar. Mas lá acabou... o avião fez-se à pista todo torto e quando tocou no chão até me desfiz de alívio. Salvo seja.
O aeroporto é muito giro, desenhado pelo Santiago Calatrava. As semelhanças com a Gare do Oriente, em termos de elementos e desenho, são óbvias. É giro, mas nada funcional! Apanhei um autocarro para a cidade. Entrámos nuns túneis e quando saímos... Bilbao, encaixadinha entre os montes e o Guggenheim logo ali. É mais pequeno do que julgava! Saí quando vi as entradas do metro, que são uns tubos transparentes também muito engraçados, e foi o evento número dois. Dirigi-me a uma máquina para comprar o Creditrans (o Andante/7colinas deles). Quando vou a pôr a nota na ranhura com a luz a piscar, ela não foi sugada, caiu. E o bilhete não saiu. Percebi imediatamente que tinha mandado a nota para um sítio qualquer dentro da máquina que não o que eu desejava... Fui a correr ao guichet contar a minha asneira. Uma menina simpática olhou para a minha mochilona, sorriu ainda mais e foi abrir a máquina e tirou-me de lá a nota e, para que não houvesse mais equívocos, ensinou-me a comprar o Creditrans. Senti-me tão tóna! (Se calhar é porque sou toníssima!) Enfim...
Vim para o hostal e, como já não ia a tempo de apanhar um supermercado aberto para comprar fruta, fiquei por aqui. Vai começar agora el partido, "nuestra gran final" chamam-lhe eles. Vou vê-lo e depois dormir porque amanhã é dia de aulinhas!