23 maio 2007

literalidades para biólogos

pichia pastori



A Pichia pastori (lê-se "píquia", mentes maldosas...) é uma levedurazinha muito útil na Biotecnologia. Gosto muito dela, mas não pelos seus atributos laboratoriais. É que é o microrganismo com o nome mais fofinho que conheço...

19 maio 2007

actualização - temporal

Ah. Esqueci-me de dizer que fiquei muito desiludida. O Puppy estava "fechado para obras". Está envolvo em andaimes porque estão a mudar-lhe as flores. Fiquei mesmo triste por não o ter visto.
Está a chover torrencialmente e a trovejar. Espero que não esteja assim tão mau amanhã, senão o Esquilo tem um xilique! Nem quero pensar se ele não pode levantar vôo! Seria ainda pior do que ter de andar desde as 11h da manhã com a mochila às costas por uma cidade à chuva sem nada para fazer.

dia de passear em bilbao







... e um dia chega.
Depois do dia de aulas descrito e de outro dia enfiada na clínica a conhecer os laboratórios (que foi espectacular mas puxadíssimo), hoje foi para turismo. Saí do hostal e fui caminhar ao longo do Nervíon, passando pela ponte do Calatrava. Nada de especial... 1º destino: o Guggenheim, obviamente. É espectacular. Se por fora parece impossível ter sido concebido, por dentro então... Tudo é curvo, até o chão. Mais do admirar a ideia do arquitecto, admiro o trabalho dos engenheiros que conseguiram pôr aquilo em pé. Podia ter passado duas horas a olhar para o átrio, outras duas a olhar para os paineis luminosos duma galeria e outras duas a olhar para os quadros das plantas e das galáxias. (não consigo lembrar-me dos nomes dos artistas...) O resto não achei assim muito fixe, mas só pelo museu em si vale bem a pena a (cara) visita.
Depois, voltei ao Casco Viejo para comprar uns sapatos. Mas não resisti a mais umas coisitas... Fui ao Museu Basco, que é tipo museu de História, arqueologia e etnografia do Euskadi. Estava super mal organizado e cheirava intensamente a mofo, mas deu para ficar com uma ideia. Depois rumei ao museu de belas artes, mas enganei-me na rua quando saí do metro e acabei por correr a cidade quase toda à conta do engano e dos consequentes "já que estou aqui vou a...". Corri todas as livrarias que os meus colegas de curso me indicaram à procura de livros de reprodução humana, mas não achei nadica. O museu de belas artes é muito mais rico em conteúdo do que o Guggenheim (que, em abono da verdade, não tem praticamente recheio nenhum apesar de ser enorme). E tinha uns visitantes muito menos "olá, sou um turista e tenho de picar o ponto nos top 5 de cada cidade". Também gostei, principalmente porque complementou com obras modernas muito bonitas a visita ao Museu Basco.
Passei de novo pelo Guggenheim (não resisti a tirar mais fotos e a sentar-me uns minutos a olhar para ele) e aproveitei para entrar no hotel Domine, que tem um átrio espectacular também (não me deixaram fotografar, infelizmente). Depois meti-me pelas ruas da cidade sem olhar para o mapa e andei, andei, andei, andei, sempre na direcção do Casco Viejo. Atravessei-o até ao Mercado de la Ribera e vim para o hostal. Estou exausta. E aborrecida. Já vi tudo o que havia para ver e ainda tenho mais de meio dia amanhã antes de apanhar o avião. Não tenho dinheiro para voltar ao Guggenheim, nem para me sentar num restaurante e comer até rebentar todos os acepipes bascos que eles tenham. Vou limitar-me a zanzar por aí.
Bilbao cabe num dia. A riqueza deles é, gastronómica e económica, mas não tanto de património e arte. Ou então sou eu que estou um bocadinho irritada por estar sozinha.

17 maio 2007

dia de aulas no getxo





Hoje acordei às 8.10, depois de uma noite que tardou a ser bem dormida porque, como esperava, era barulho por todos os lados... nos quartos contíguos e até na rua. Ouvia-se tudo. Tomei um pequeno-almoço michuruca e uma banhoca e saí em direcção ao Getxo para um dia de aulas. Sabia que deveria apanhar o metro até Arteea e depois procurar o Hotel Embarcadero. Segui direcções erradas e fui para à Puente Colgante (primeira foto). É LINDA! Tem aquele veículo suspenso q leva passageiros e até carros para a outra margem da ria do Nervíon. Só não atravessei também porque estava com pressa. (Faltavam 5minutos para o começo da aula e o hotel nem vê-lo...) Perguntei a um velhote que olhava as águas e a margem urbanizada do outro lado enquanto as suas canitas de pesca aguardam as presas ali ao lado. Andei, andei, andei, andei... E se não tivesse perguntado a outra pessoa pelo caminho teria passado pelo sítio sem o ver. Concluí que tinha ido pelo caminho mais longo, mas também o mais bonito. Fiz um passeio pedestre marginal charmoso do porto de Bilbao. Havia navios lá ao fundo e um molhe as águas eram calminhas e as casas pouco faustosas mas de uma sobriedade com pinta. E bonito era também o hotel. Por fora, todo em pedra muito clássico... por dentro, ultra moderno, com uma decoração escura mas muito acolhedora. Tivemos aulas num salão que dava para o jardim e serviram-nos ali o almoço debaixo de um toldo. Menú de degustação (caganitos no meio do prato, com uma risquinha de molho e duas ervitas)mas que no final me encheu bem. Peixinho delicioso!
Depois das aulas da tarde (que custaram muito na concentração porque todos os meus recursos estavam a namorar o peixe que se desfazia na barriga), voltei à ponte e depois fui apanhar o metro para Bilbao. Pelo caminho comprei fruta. 2,50€ por 4 bananas e 3 maçãs ácidas - CHULOS! Andei um pouco aqui pelo Casco Viejo com uma colega de curso catalã que está instalada aqui ao pé. Passámos pela catedral de Santiago e pelo Mercado de la Ribera. Entrámos em algumas lojas (sapatos ---> guay!) mas já estavam a fechar...
Estou encantada com o metro deles. As estações são amplas, embora pequenas, as carruagens têm muito bom aspecto. Tudo super moderno mas não excessivamente frio. E aquelas entradas do Sir Norman Foster. Estou encantada com ele!
As ruas estão cheias de gente. Ouço-os falar, rir e bater com os talheres nos pratos. Hei-de ir comer uns pintxos (as tapas bascas) mas hoje não. Já almocei bem, há que fazer render as poucas refeições decentes que vou fazer até Domingo...
Ah, a última foto é a vista da minha varanda. Calle de Bidebarrieta, mas podia ser outra qualquer... são todas assim no Casco Viejo.
Vou comer umas tostas de sésamo, uma maçã (de ouro, só pode) e um pacotinho de leite. É o meu jantar. Amanhã vou passar o dia no laboratório de fertilização in vitro e tenho de lá estar (em badalhos caricos) às 8.30.

16 maio 2007

kaixo euskadi!

Estoy a Bilbao! Lamentablemente no sé como decirlo en Euskera... (se calhar nem em Espanhol...)
Estou no Hostal Gurea, em plano Casco Viejo, que é o centro histórico cá do sítio. Ruelas estreitas mas não tão velhas quanto isso... Li que a cidade foi assolada por umas cheias muito grandes seguidas de um incêncio devastador. De modo que a construção aqui tem uma traça muito recente. Ainda não vi praticamente nada da cidade porque cheguei e enfiei-me no quarto. É quase noite, os supermercados já fecharam (quero comprar fruta), estou cansada e tenho de poupar o meu tendão de Aquiles para os próximos dias (ainda está com a lesão de Amesterdão).
Bem, o meu quarto é humilde mas limpinho. Tem Wifi, o que me mantém acompanhada via Messenger, casa de banho privativa e televisão para fazer barulho e para poder ver hoje a final da Taça UEFA. (Neste momento estou a ver os próximos anúncios da Corporación Desmoestetica que vão passar em Portugal, aqueles de mulheres magras a querer emagrecer e mulheres sem pêlos a fazer depilação definitiva e que falam Português com a língua sempre a bater nos incisivos...) Outra coisa que ele tem são umas paredes muuuito fininhas que me permitem ouvir os barulhos todos na pensão inteira e na rua lá em baixo. Espero que não haja casais animadinhos aqui...

Bem, mas vamos ao relato da viagem... Eu sabia que ia voar num avião pequenino. Até sabia que se chamava Beechcraft qualquer coisa... Mas não sabia a ironia que estava inerente ao meu pensamento "4A! Fixe, vou à janela!" quando olhei para o cartão de embarque. É que o avião só tinha lugares à janela. Porque o avião só tinha uma fila de lugares de cada lado. Hélices, percebes? HÉLICES!! Era tão pequenino que o cockpit era aberto para o resto da cabine, que nem sequer levava hospedeira, só os dois pilotos, que os bancos nem reclinavam... A barulheira lá dentro era tal que nem se ouvia os anúncios gravados em 3 línguas pela hospedeira ausente. (Já se sabe que os pilotos nunca se fazem entender com aquela fala enrolada de tão bêbados de concentração na sua tarefa...) O melhor de tudo era o nome ridiculamente minúsculo: Esquilo. Não lhe podia assentar melhor. Ao menos tinha jornais. Trouxe, como sempre, o Público e o Finantial Times, que me entreteram a viagem toda, bem como a paisagem retalhada e pitalgada que desfilava lá em baixo até... até as nuvens a terem coberto, sinal de que estávamos a chegar ao Pais Basco.
Foi então que começou o tormento. Começámos a descer, a descer... e foi o terror. Geralmente, uma das minhas partes favoritas dos vôos é quando estamos a atravessar as nuvens, apesar da turbulência. Acho bonito! Mas se a turbulência se tolera num Boeing, num esquilo voador de lata parece o fim do mundo em cuecas. Bem, era para todos os lados, eram umas descidas súbitas daquelas que o rabo se descola do banco, coisa digna de montanha russa rasca e mal montada. Eu só via as hélices pela janela, pareciam atrapalhadas. Tive tanto medo, tando medo!! Dei por mim com as mãos em prece, mas tão apertadas que me doiam os dedos! Não via a hora daquilo acabar. Mas lá acabou... o avião fez-se à pista todo torto e quando tocou no chão até me desfiz de alívio. Salvo seja.
O aeroporto é muito giro, desenhado pelo Santiago Calatrava. As semelhanças com a Gare do Oriente, em termos de elementos e desenho, são óbvias. É giro, mas nada funcional! Apanhei um autocarro para a cidade. Entrámos nuns túneis e quando saímos... Bilbao, encaixadinha entre os montes e o Guggenheim logo ali. É mais pequeno do que julgava! Saí quando vi as entradas do metro, que são uns tubos transparentes também muito engraçados, e foi o evento número dois. Dirigi-me a uma máquina para comprar o Creditrans (o Andante/7colinas deles). Quando vou a pôr a nota na ranhura com a luz a piscar, ela não foi sugada, caiu. E o bilhete não saiu. Percebi imediatamente que tinha mandado a nota para um sítio qualquer dentro da máquina que não o que eu desejava... Fui a correr ao guichet contar a minha asneira. Uma menina simpática olhou para a minha mochilona, sorriu ainda mais e foi abrir a máquina e tirou-me de lá a nota e, para que não houvesse mais equívocos, ensinou-me a comprar o Creditrans. Senti-me tão tóna! (Se calhar é porque sou toníssima!) Enfim...
Vim para o hostal e, como já não ia a tempo de apanhar um supermercado aberto para comprar fruta, fiquei por aqui. Vai começar agora el partido, "nuestra gran final" chamam-lhe eles. Vou vê-lo e depois dormir porque amanhã é dia de aulinhas!

10 maio 2007

a última queima




tree of life


water bears


© Dennis Kunkel (left), via flickr unknown author (right)

Os Tardígrados (ou ursos de água) são animais aquáticos microscópios. São parentes dos Artrópodes mas têm um filo próprio, o qual contém mais de 1000 espécies conhecidas. E têm este aspecto adorável!

04 maio 2007