24 fevereiro 2007

mais uma para o roteiro nacional de coisas boas com chocolate

A Casa de Chá da Boa Nova está instalada num excelentíssimo projecto de Siza Veira em cima dos rochedos junto ao mar em Leça da Palmeira.
Tem cheiro de hotel a precisar de reforma, a couro velho e até a mofo, e estava a dar uma música muito retro (tipo Richard Clayderman, estás a ver?), o que em conjunto com a decoração fora de moda e os empregados de bigodinho grisalho dava àquilo uma atmosfera de glória perdida dos anos 70.
Se me atrevesse a mexer-lhe, redecorava-a, fazia desaparecer aquele aquário com lagostas no hall e punha-lhe vidro duplo nas janelas. Fiquei decepcionada por o highlight da coisa - a vista sobre o mar a rebentar furiosamente contra os rochedos mesmo ali à frente - se ter dissipado nos vidros sujos e embaciados.
Os sofás são confortáveis, o chocolate quente é espessíssimo e serviram-nos umas fatias enooormes de bolo de chocolate muito bom. Apetece conversar e dar uns beijinhos ao namorado. E repetir o bolo... umas três vezes. Quero lá voltar, num dia de sol. Mas o melhor mesmo é ir lá quando estiver um temporal, como esta semana.

casa de chá da boa nova

utilitário

Adobe Lightroom

Porque tenho preguiça para o Photoshop.

20 fevereiro 2007

as fisgas do ermelo

"As quedas de água das Fisgas de Ermelo, as maiores da Península Ibérica, repartem-se entre os concelhos de Vila Real e Mondim de Basto numa área de 7.220 hectares.Entre a zona de Lamas de Olo, de altitude, e a zona de Ermelo, de vale submontano, existe uma barreira de quartzitos responsáveis pela transição brusca entre as duas zonas, originando um "degrau" cuja charneira são as quedas de águas das Fisgas de Ermelo.A altitude de Lamas de Olo é de cerca de mil metros e a de Ermelo de cerca de 450 metros, distando as duas povoações de oito quilómetros em linha recta.As Fisgas de Ermelo, compostas por três grandes quedas de água, pequenas cascatas e rápidos, são uma área restrita, que representa um óptimo refúgio para a fauna e a flora." (fonte)

Fui lá no Verão, num dia tórrido, para arrefecer naquelas águas limpinhas, ouvir a passarada e o vento nos pinheiros. Voltei lá ontem só para ver como ficam as cascatas com a tanta água que tem chovido.
O Alvão e as suas fragas nuas verticais na estrada entre Campeã e Ermelo. E o Olo cristalino tropeçando nos açudes. E os veios de água pelos montes abaixo que enchem de susurros as estradas vazias.
Não vás lá. Quanto menos gente, melhor.

10 fevereiro 2007

o gel de electroforese

A consultar a programação de Serralves, deparei-me com isto:




Nada mais, nada menos, que uma imagem de um gel de electroforese a enfeitar a página de um programa cultural qualquer que não tem nada a ver com electroforese. Aposto que a esmagadora maioria das pessoas que vão aderir ao programa não sabem o que é electroforese e também não vão descobrir lá.

Parecem as barrinhas dos equalizadores (?) dos aparelhos de som.

Será meramente uma questão de estética? Não deixa de ser uma imagem engraçada... Tenho visto muita coisa esteticamente gira desde que comecei a dedicar-me à Biologia. Colónias de fungos ou caixas de tips com determinadas disposições dos lugares vazios. Davam boas fotografias para enfeitar coisas que não têm nada a ver. É o giro do ser giro incluindo esteticamente giro num sentido estanque da esteticogirice, isto é, olhar e ver uma imagem bonita e ela ser bonita pela imagem em si só. (...) Uf. É uma coisa um bocado fútil e cínica, mas dá piada aos dias, porque passamos a vida a ver coisas bonitas em todo o lado, desde que estejamos com os olhos abertos e a focar correctamente.

O que sou eu a partir do momento em que reconheço imeditamente um gel de electrofore perdido no site de Serralves e acho esquisito e me dedico a interpretar o facto?

09 fevereiro 2007

pum, motherfucker, pum

canta o George W. Embuste.

Meio mundo é horrível.
O outro, só se nós não conseguirmos que não seja. Não estou a falar de fazer por ele, estou a falar de fazermos por nós para que não nos apercebamos.

07 fevereiro 2007

os maricas

- Foda-se, a esses gajos era matá-los, cabrões dos paneleiros!

Não compreendo, juro que não compreendo.
Ora.
Eu tenho pó a:
assassinos, ladrões, homens que violam mulheres, adultos que maltratam e violam crianças, homens com crises de meia idade que se atilham a lambisgóias para lhes darem lustro ao escroto, homens que vão às putas e pegam sida às esposas, pais que desprezam os filhos para trabalhar, drogados que vão para o hospital com overdose batem e pegam tuberculose aos enfermeiros e quando saem assaltam um cidadão honesto que lhes pagou com os seus impostos as dez ampolas de 50contos cada que lhe espetaram para ele estar vivo naquele momento, gente preconceitusa em geral, gente mesquinha em geral, gente hipócrita em geral, professores catedráticos que não se tocam e acham que mandam e desmandam, putos com testosterona a mais que têm a mania que são muita maus, gente corrupta com altos cargos em geral, gente corrupta em geral, gente que enriquece à custa da alienação dos direitos básicos dos outros, gente violenta.

Para a minha sanidade, a lista é grande demais. O mundo está pejadinho de gente a quem desprezar, ter aversão ou, para os mais desocupados ou vitimizados, odiar.
Para que ainda odiar, desprezar ou ter aversão pelos homossexuais? Não sou capaz de detestar uma pessoa tendo como critério o objecto do amor dela, o mesmo amor que tantos sentimos várias vezes na vida por gente e que é tão importante, ora que porra, é amor!

E não me venham com argumentos da Natureza:
a natureza funciona com padrões, sim senhor, mas não só admite o atípico como este é um dos seus instrumentos básicos, porque dele depende a diversidade, um dos pilares do Biosejaoquefor.

E muito menos com argumentos religiosos:
que eles são aberrações até pode ser o que se ouve nas igrejas (eu já ouvi), até pode ser essa a mensagem dos padres, mas não é essa a de Cristo de certeza e se for prefiro a excomunhão a acolher em mim e na minha fé uma orientação que abra semelhante excepção no seu legado de Amor entre os Homens.